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Detectar a Doença de Parkinson através da voz


Para além de permitir a deteção precoce da doença de Parkinson em pessoas de diferentes idades, a tecnologia tem igualmente como objetivo diminuir os custos associados aos exames e aos tratamentos, explicou Diogo Braga, responsável pela criação deste projeto, que terminou recentemente a licenciatura em Engenharia Informática no ISEP.



“Existe um elevado custo associado às doenças neurodegenerativas, com tratamentos dispendiosos e que apenas servem para dar uma melhor qualidade de vida do que aquela que os doentes teriam sem os tratamentos, que têm que ser cumpridos escrupulosamente para terem efeito”, diz o engenheiro.



Para obter o resultado basta que os utilizadores (anónimos ou identificados) descarreguem no ‘website’ um ficheiro de áudio (nos formatos ‘wav’ ou ‘mp3’) com cerca de cinco segundos.



O resultado é divulgado de imediato, indicando ao utilizador se tem indícios ou não, se deve consultar um médico ou repetir o teste noutro dia.



Esses indícios são detetados através de um sistema de aprendizagem automática (‘machine learning’) baseada em dados de 24 pacientes com Parkinson, em diferentes estados de progressão da doença, e em dados de 30 pessoas saudáveis, tendo a precisão de identificação rondado os 92,38% durante os testes.



Diogo Braga explicou que a doença de Parkinson pode ser detetada pela rigidez na voz e nos ciclos vogais (que não conseguem ser percebidos pelos humanos).



“Quando expressamos um vogal a nossa boca faz um ciclo, que é suposto ser fluído, sem nenhuma rigidez e sem travar”, indicou, esclarecendo que nos doentes de Parkinson, é possível detetar esses fatores na voz numa fase precoce da doença.



Para o engenheiro, o fator diferenciador desta tecnologia é o facto de a deteção ser feita “com tolerância a ruído ambiente”.



“Como os utilizadores poderão não estar em condições de laboratório, é importante que o sistema consiga detetar indícios da doença através da voz mesmo quando a gravação apresenta ruído ligeiro”, disse.



Desenvolvido no âmbito do estágio curricular que o recém-diplomado do ISEP realizou no Grupo de Investigação em Engenharia e Computação Inteligente para a Inovação e o Desenvolvimento (GECAD), o ‘website’ demorou cerca de quatro meses a ser desenvolvido.



A plataforma, que pode ser adaptada no futuro para outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Huntington, ainda não se encontra ‘online’.



Os docentes do ISEP e orientadores do projeto, Ana Maria Madureira e Luís Filipe Coelho, esclarecem que a prioridade tem sido dada à publicação de artigos científicos, que permitam “validar e conferir um maior grau de credibilidade ao projeto”.



O objetivo é, segundo os docentes, “refinar o protótipo, de modo a criar uma versão final que possa cumprir os exigentes e rigorosos padrões de qualidade e resposta necessários para ser reconhecida oficialmente como uma plataforma de apoio à medicina”.



 



Fonte: Jornal de Notícias


 
 
   
 
 
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