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Células-mãe aguardam legislação

(.../...)Contudo, o investimento empresarial pode estar ameaçado, em particular no que respeita à investigação. Essa é, pelo menos, a intenção inicial do projecto de lei do PS neste domínio. Mas os investigadores, e sobretudo duas empresas de biotecnologia que operam nesta área, contestam a disposição.

O tema está em discussão na Comissão Parlamentar da Saúde, que promete agora analisar a possibilidade de patentear e comercializar as investigações em células estaminais, no âmbito de uma lei em preparação. Esperando que o vazio legal em que se vive não venha a perturbar as expectativas de desenvolvimento, as duas empresas existentes em Portugal apostam na que é já chamada medicina do futuro e que pode vir a gerar milhões de euros de receitas.

A Ecbio, instalada em Cascais, trabalha desde 2003 em células estaminais adultas. Há dois submeteu mesmo a primeira patente, já aceite para o espaço europeu, e agora aguarda aprovação nos Estados Unidos e no Japão. Outras duas patentes, resultantes de investigação recente desta empresa de biotecnologia, estão também em fase de preparação. "Não podemos oferecer nada às empresas se não tivermos a propriedade intelectual do nosso produto, porque ninguém vai comercializar nada se depois puder ser copiado por outros sem qualquer custo", adverte Pedro Cruz, um dos responsáveis da empresa.

Também Rui Reis, que se encontra a finalizar a instalação da empresa Stemmaters, no Ave Park (Guimarães), adianta que proibir a comercialização da investigação em células estaminais seria uma "medida perigosa para as empresas". Esta posição recolhe o apoio da maioria dos investigadores da área, ouvidos numa recente audição pública promovida no Porto pelos membros da Comissão Parlamentar de Saúde que admitiram modificar a disposição da proposta de lei que determina que "não é permitida a produção de células, com fins comerciais, a partir da utilização de células estaminais".

Esta determinação, a manter-se, poria em causa, por exemplo, um dos projectos iniciais da Ecbio nesse campo. Primeira empresa portuguesa a avançar nesta área, deu então início ao processo de protecção de uma técnica, pioneira a nível mundial, de expansão de células estaminais adultas para aplicação em lesões da espinal-medula e doenças neurodegenerativas. A empresa trabalha em colaboração com a equipa médica de Carlos Lima, do Hospital Egas Moniz, neurologista que tem devolvido alguma mobilidade a paraplégicos através do transplante de células estaminais retiradas da mucosa olfactiva do próprio doente na sua espinal medula.

Esta técnica patenteada visa permitir expandir o número de células, uma vez que a quantidade obtida na mucosa é pequena e apenas permite tratar lesões de dimensões reduzidas. As células expandidas, que poderão assim permitir tratar lesões de maior extensão, deverão ser sujeitas a ensaios animais (antes de poderem passar para a clínica) e existem já grupos internacionais interessados em participar. As mesmas células vão também ser testadas para tratar a doença de Parkinson em modelos animais.

A Stemmaters, que deverá começar a operar em finais deste ano ou no princípio do próximo, tem como projecto futuro, marcado para 2014, disponibilizar terapias inovadoras no domínio da regeneração de pele, osso e cartilagem. "Uma área de elevado valor acrescentado, que possui enorme interesse social, económico e estratégico, na medida em que corresponde à necessidade médica de tratamentos mais eficientes", refere Rui Reis. Uma estimativa de mercado para as aplicações de engenharia de tecidos e regeneração de órgãos aponta para um total de 70 mil milhões de euros, metade dos quais destinados às terapias celulares.

A partir do momento em que a Stemmaters - que corresponde ao spin-off do grupo de investigação 3B's da Universidade do Minho e líder de uma rede europeia de excelência na engenharia de tecidos - começar a operar, serão dois os serviços a disponibilizar: a comercialização de suportes poliméricos para investigação e uma área ligada ao isolamento, crio preservação e expansão de células estaminais adultas retiradas da medula óssea e gorduras. Ou seja, o objectivo é oferecer um banco privado para que qualquer pessoa possa armazenar as suas próprias células (imaginando, por exemplo, que tenha efectuado uma lipoaspiração), mas indo além disso: porque a tecnologia necessária para separar as células da gordura e, mais tarde expandi-las, se necessário, correspondem a um desenvolvimento da empresa.

In DN - Domingo, 22 de Julho de 2007

ELSA COSTA E SILVA

 
 
   
 
 
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